terça-feira, 26 de maio de 2009

De gibi à mulher pelada

Um dos meus vícios sadios é ler revistas - e um dos sonhos quando me interessei por jornalismo era trabalhar um dia numa dessas publicações. Acho que o gosto por revistas começou com os gibis. É a memória mais antiga que tenho.
Todo final de semana o seu Ewaldo chegava do supermercado com um gibi (Tio Patinhas, Turma da Mônica ou Luluzinha, geralmente), mais um saco de balas e um chocolate. Durante anos eu lia as revistinhas, adorava as histórias. Aí na adolescência veio o gosto pela música e assinei minha primeira revista, a Bizz. Era uma época sem internet e a MTV não tinha começado aqui ainda, então pra saber notícias do mundo musical só via rádio, revistas e jornais mesmo.
Fui assinante por uns três anos, aí quando meu gosto musical ficou mais restrito ao heavy metal e assemelhados parei com a Bizz e comecei a comprar revista de música importada. Ajudou o meu inglês mas faliu meu bolso, hehe.
Na época da faculdade a grana era curta, então eu comprava algumas revistas esporadicamente. E mais cabeça, tipo a Imprensa e por aí vai. Muitos anos se passaram, sobrou uma graninha e pra ajudar a pensar pautas assinei a Veja. Fui uma pessoa informada por um bom tempo, até encher o saco de tanta matéria de denúncia política, sempre sentando o pau no governo.
Nessa mesma época dei espaço pra outro sonho, o de viajar pelo mundo. Assinei a Viagem e Turismo. Claro que não tive dinheiro nem tempo de conhecer todos os lugares que vi retratados na revista. Acho que umas 2 ou 3 edições serviram de roteiro pra viagens nossas, a que mostrava Santiago, no Chile, foi realmente bem útil.
Como eu estava tentando ficar em forma assinei a Boa Forma. Tá comprovado, ninguém emagrece por osmose. Pelo menos me convenceu a tomar água, de tanto ler a importância de ingerir o precioso líquido.
Trabalhando no Terra, na editoria de Estilo de Vida, responsável por uns 10 sites, entre eles o de Sexo, veio mais uma assinatura. Uma colega descobriu que a Vip tinha errado o valor da assinatura. Quem ligasse e desse uma senha levava a revista por dois anos por R$ 19,90. Barbadinha!! Ia ajudar a bolar pautas pro canal safado e pra conhecer as peladas que renderiam matérias, page views pro canal e consequentemente elogios dos chefes.
Assinei. Tudo em nome do trabalho. Só que uns dois meses depois pedi demissão. E fiquei recebendo a revista. A Superinteressante chegando pro Júlio e a Vip no meu nome. O que os porteiros pensam de mim ... Várias edições levaram meses pra que fossem abertas, ficavam esquecidas na pilha de revistas.
Esse ano resolvi não renovar a assinatura. Pra que, revista sem utilidade na minha vida. Quando liguei pro atendimento da editora Abril solicitando o cancelamento, a atendente ainda perguntou se não tinha outra revista que eu quisesse assinar. E eu: não tem mais Cláudia Bebê? Quero uma publicação nessa linha ...
Mandei cancelar a Vip mas assinei a Crescer, hehe. Quero saber tudo sobre papinhas, livros e CDs infantis, brincadeiras, como estimular o desenvolvimento do filho e tal. Enfim, isso demonstra como as minhas leituras estão diretamente ligadas ao momento que vivo, pelo menos a de leituras.
Domingo chego em casa após o primeiro plantão na volta da licença e vejo duas revistas sobre a mesa. A Super do Júlio e outra fechada. Pensei: Eba, chegou a Cresceu. Puro engano, era o raio da Vip. Mas que saco, os caras não desistem de mim? Que vou fazer com essa revista? E lá foi mais um exemplar pra pilha de revistas...

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